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*O CAVALO DO SUL DA AMERICA
Descendente de cavalos ibéricos, trazidos pelos Espanhóis, disseminou-se, vivendo durante 400 anos em seleção natural no SUL da AMÉRICA, fixando qualidades inigualáveis de rusticidade,resistência e longevidade. Foi cavalo do índio, do peão, do militar e do Patrão. No final dos anos 1800, começa a influência do homem no seu processo seletivo, surgem movimentos no Chile, Brasil, Argentina e Uruguai, buscando a valorização deste grande cavalo, selecionado e ambientado no cone sul da América, perfeitamente adaptado aos contrastes impostos pela natureza diversa da região.
A partir de 1900, começam, criadores de todos os países anteriormente citados, a reunirem-se, dentro e fora de suas fronteiras, visando equacionar e fundamentar tecnicamente o alicerce de construção desta raça, usando princípios rígidos no processo de aceitação e seleção inicial, para formar a base de crescimento e expansão. Para dar a consistência devida ao processo, criadores e estudiosos do assunto, redigiram um Standard, ou seja um padrão racial, ao qual todos os animais apresentados, deveriam apresentar um enquadramento mínimo, para serem aceitos e inscritos no Stud Book, livro da Raça.
A necessidade de organização cresce, começa a mobilização para a Fundação das Associações de Criadores. A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE CAVALOS CRIOULOS, foi fundada em BAGE, RIO GRANDE DO SUL, em 28 de fevereiro de 1932, estado que é limítrofe com Argentina e Uruguai, o que sem sombra de dúvidas facilitou o intercambio entre criadores. Levando em consideração a época, foi de razoável intensidade o intercambio cultural e genético, praticado pelas Associações e Criadores, desencadeando crescimento e evolução.
Surgem os primeiros eventos, exposições morfológicas, já com algumas demonstrações de capacitação funcional, evidenciando a excepcional vocação do Cavalo Crioulo como cavalo de sela. Em 1972, criadores do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, em um evento Pan-Americano, em Buenos Aires, fundam a FICCC, Federação Internacional dos Criadores de Cavalos Crioulos. Esta federação tem por objetivo, congregar os criadores, e realizar a cada três anos de forma rotativa, eventos morfológicos e funcionais, proporcionando aos participantes, parâmetros objetivos de análise da evolução e consolidação do CAVALO CRIOULO. O BRASIL, é o maior criador, em número de animais e de criadores, pois temos uma população viva de 200.000 animais, pertencentes a 20.000 proprietários. A Associação Brasileira conta hoje com 2.000 sócios ativos.
A intensificação do processo seletivo, tem feito com que o Cavalo Crioulo, conquiste espaços, cada vez maiores, dentro e fora de nossas fronteiras.
A Associação Brasileira, conta com um calendário de eventos anual, com mais de 100 eventos, o que possibilita a concorrência de aproximadamente 12.000 nos concursos de Morfologia e Função. Nas atividades funcionais, podemos destacar as seguintes realizações; Enduro, Marcha de Resistência ( 750 Km em 15 dias ), Rédeas, Laço, Paleteada e a mais importante, a prova FREIO DE OURO, uma competição das mais completas e exigente, que se realiza para cavalos de sela. Esta modalidade, já foi exportada para Argentina e Uruguai, e neste momento o Chile solicita apoio, para formalizar sua adesão. A prova final do FREIO de OURO, ocorre por ocasião da EXPOINTER, exposição Internacional de animais que acontece sempre no final do mês de Agosto, em Esteio, cidade da grande PORTO ALEGRE, capital do ESTADO do RIO GRANDE DO SUL – BRASIL. Nesta grande final, comparecem, todos os animais previamente classificados, oriundos das classificatórias Nacionais e Internacionais, assistência de 40.000 espectadores, com transmissão ao vivo para todo o País. Cabe ressaltar, a importância sócio econômica do Cavalo Crioulo, no momento em que examinamos os efeitos da atividade na cadeia produtiva e como fonte geradora de empregos, de diversos níveis de qualificação.
CAVALO CRIOULO É CULTURA, TRADIÇÃO, SIMBOLO E PAIXÃO.
Gilberto Loureiro de Souza
*ORIGEM DA RAÇA CRIOULA:
A Raça Crioula foi a primeira raça sul-americana formada nos campos úmidos da Bacia do Prata, descendendo em linha direta dos cavalos ibéricos trazidos pelos espanhóis e portugueses ao longo do século XVI para as regiões que formariam a Argentina, Paraguai e Brasil.
Fonte: ABCCC.
História da Raça:
No início do reinado de Carlos V da Espanha, chegaram à cidade espanhola de Córdoba, os embaixadores do rei de Marrocos, para serem recebidos pelo imperador. Um dos cavalos da expedição foi deixado numa pousada por estar sofrendo com cólicas, com a seguinte recomendação: "Cuide de éste caballo y, si viviera, quiéralo mucho, pues es del mejor linaje que tiene nuestro rey, ni tiene igual en toda Barbarie".
O cavalo se recuperou e foi adquirido por um tropeiro de nome Guzmán, que o chamou com o mesmo nome "Guzmán". Posteriormente passou a pertencer a um nobre chamado Don Luiz Manrique, que era criador de cavalos. Guzmám foi cruzado com todas as éguas e as crias passaram a ter grande valor. Com a morte de Guzman, um de seus filhos passou a ser utilizado como semental. Com o nome de Manrique por homenagem ao dono, superava o pai pela perfeição dos aprumos. Com a morte do dono , os cavalos foram arrematados por Don Martín Fernandez de Córdoba. Com eles, Don Martín fez o mais perfeito criatório de Córdoba, cujas éguas foram chamadas de "cordobesas de casta fina".
O Duque de Sesa, Don Gonzalo, montou criatórios de cavalos com éguas e garanhões de Don Martín Fernández, que foram selecionados por o seu cavalariço Juan de Valenzuela. Por isso o nome da raça "Valenzuela". Tudo indica que a ficha técnica do cavalo Guzmán está incluída no que se chama cavalo berberisco ou berebere.
Don Manuel Gomes Lana, ao estudar o cavalo andaluz, indica que foram sem dúvida os Guzmanes, os Valenzuelas e seus sucessores, criados em Córdoba, os responsáveis por essa província espanhola estar citada por Cervantes na obra Quijote, como a cidade com os melhores cavalos do mundo.
Pedro Ponce de León, trouxe cavalos "Valenzuelas" para a Venezuela, de onde alcançaram o Sul do Perú e a partir do ano 1530 atingiram o Chile. Os índios araucanos foram os que depois levaram o cavalo crioulo para os Pampas Argentinos através de passagens que permitiam cruzar a Cordilheira dos Andes.
Os espanhóis introduziram seus ferros de marcar em 1530 no México e em 1550 no Chile,durante a implantação da Estância Angostura. Na subdivisão posterior dessa, surge a marca Aculeo. O Aculeo é o espinho de uma árvore comum na cordilheira andina. Manrique, o filho e sucessor de Guzmán, produziu com as éguas de Don Diego de Aguayo e Pedro de la Cueva uma excelente raça de cavalos espanhois que foi conhecida como "Cuévanos". Desta casta surgiu o reprodutor chileno "Caldeado" de onde derivam as atuais treze famílias chilenas do cavalo crioulo de Pura Raça.
O sangue de Guzmán percorreu a rota dos conquistadores espanhóis e hoje pode ser encontrado pela performance, rusticidade e beleza , em cerca de 86% dos cavalos crioulos registrados. Na Espanha,a procriação dos descendentes de Guzmán, foi fomentada pelas ordens religiosas da época com postos de monta e garanhões selecionados para cobrir as éguas dos particulares. Foi a casta Guzmán, com as éguas nativas espanholas, que formaram a raça Andaluza, reunindo o berebere e o celtibero, em um cavalo de maior alçada, mais robusta e rústica que os importados. As éguas Valenzuelas, fizeram a base da "Real Yeguada de Córdoba" que dera origem aos potros cordobeses. As éguas dessa linhagem, com a interferencia do cavalheiriço Juan Jerónimo Tiuti, foram cruzadas com garanhões napolitanos, normandos e holandeses, até se conseguir cavalos de maior altura e perfil acarneirado. Em 1685, o Duque de Newscastle iniciou a introdução de éguas espanholas na Inglaterra para a produção de puro sangue de corridas. A casta fina "Valenzuela" era a mais procurada.
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